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ISO 26000 | IPAI Auditoria Interna Out/Dez 2012

A Norma Portuguesa NP 4469 -1 “sistema de gestão da responsabilidade social” fez já cinco anos sobre a sua publicação. Desenvolvida pela CT 164, suportada pelo ONS APEE, a NP 4469 – 1 irá agora passar pelo processo de revisão, de modo a incorporar por um lado a evolução destes anos por outro a experiência concreta da sua aplicação.

A APEE está a convidar todas as organizações interessadas a candidatar-se a membros da CT, de modo a reunir o maior leque de opiniões e contributos e desse modo aumentar a utilidade prática da norma.

Numa economia que se internacionaliza a norma portuguesa de RS tem o mérito de estar plenamente alinhada com a ISO 26000, podendo por isso responder à necessidade de evidência nesse âmbito.

De fato a ISO 26000 não é passível de certificação, dado ser uma estratégia de gestão e não um sistema. Só as partes interessadas (stakeholders) poderão afirmar se, do seu ponto de vista, a organização está consistentemente a adotar essa estratégia.

Dois anos após a publicação da ISO 26000, é hoje claro que a maioria das partes interessadas não está ainda em condições de responder a essa questão, por desconhecimento da matéria ou por não possuir as métricas que o possibilitem com objetividade, rigor e transparência.

Assim, um pouco por todo o mundo, têm surgido instrumentos de certificação, decorrentes da ISO 26000, de âmbito sectorial ou geral. Permanece no entanto a questão da proximidade e do carácter voluntário da RS.

Ou seja, a RS é a responsabilidade pelos impactes da atividade e das decisões. Para a esmagadora maioria das organizações, empresariais e outras, os impactes são sentidos e mais óbvios na proximidade.

Assim as partes interessadas, comunidade incluída, são tendencialmente próximas, ou pelo menos estão claramente na esfera de influência da organização.

Por outro lado a RS tem valor na medida em que é uma resposta voluntária às legítimas expectativas das partes interessadas, cuja voz é veiculada por representantes credenciados. Pela razão anterior decorre aqui mais um elemento de localidade e proximidade. Ao contrário da Sustentabilidade, que pela sua natureza de macropoliticas, decorrentes de impactes globais e de médio prazo, a RS acontece ao nível da organização, sentindo-se nas mais pequenas decisões e nas pessoas da envolvente próxima.

Destes fundamentos resulta o valor e a utilidade da certificação de proximidade, segundo normas bem ajustadas à realidade dos ambientes socioeconómicos em que a organização se insere como pessoa coletiva e cidadã.

Em RS terá pouco valor a certificação por uma norma elaborada para outro contexto, que visa desenvolver e assegurar aspetos em que, por exemplo, a lei portuguesa seja mais exigente.

Nesse caso a afirmação de conformidade é redundante com a afirmação de cumprimento da lei.Pelo contrário a NP4469 – 1 é bem portuguesa e portanto de grande utilidade para quem sabe observar, pois a certificação por essa norma diz ao parceiro na cadeia de valor que a organização visa padrões elevados de adaptação ao seu ecossistema e não apenas “ficar bem na foto”.

Esta é que é a questão central. Responsável é a organização bem ajustada ao seu ecossistema social de suporte e de criação de valor. É daqui também que vem a força competitiva da RS, pois resulta óbvio que essa adaptação evita atritos e erros cujo custo seria um puro desperdício.

Ainda mais essa adaptação gera oportunidades de inovação de negócio. Por exemplo a integração da organização no ecossistema de ensino permitir-lhe-á usufruir de conhecimento mais barato, ou mais cedo, ou em melhores condições do que sucederia em caso contrário.

A adaptação ao ecossistema de fornecimento pode reduzir custos, melhorar qualidade, beneficiar de novos produtos, melhorar o fluxo logístico e o cash flow, bem como oferecer melhores produtos ao consumidor.

A adaptação ao ecossistema cultural permite reduzir riscos, aumentar a satisfação dos trabalhadores, obter colaboração e apoio de terceiros, aumentar a estima dos vários públicos.

Por vezes ouvimos dizer que a NP4469 – 1, sendo uma norma portuguesa não teria interesse para empresas exportadoras.

Mas para quem sabe o que é a RS, será exatamente o inverso, valorizará que a organização seja reconhecida no seu mercado doméstico, pelas regras nele vigentes, mais do que obter um reconhecimento por um referencial cujo valor pode, nesse mercado, ser nulo.

Na revisão da norma a CT 165 não deixará certamente de responder ao desafio das compras públicas.

 

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